Luan Ryo Minowa

Médico Acupunturista

Minha educação nunca percorreu caminhos muito tradicionais. No ensino fundamental, estudei em uma escola cuja metodologia pedagógica denomina-se Waldorf. Somos estimulados a desenvolver-nos da maneira mais completa possível, não focando somente em atividades mentais da educação tradicional e seu modelo cartesiano, mas no desenvolvimento de habilidades manuais, da autoconsciência corporal e espiritual, além de uma visão integrada do mundo e da natureza.

Posteriormente, ingressei na medicina através da Faculdade de Medicina de Marilia, cujos métodos de ensino também fogem dos habituais – metodologia PBL (“Problem Based Learning”). Lá, desde cedo, entramos em contato com pacientes e somos incentivados a desenvolver uma visão biopsicossocial, empatia, capacidade de detectar problemas socioculturais e contextualiza-los com as doenças antes mesmo de aprender sobre patologias e seus critérios diagnósticos. Aprendi e desenvolvi meus conhecimentos sobre a medicina ocidental –  até então a única que conhecia – porem sentia que isso não me bastava.

Foi então que entrei em contato com a acupuntura pela primeira vez e me encantei. Percebi que as explicações sobre as patologias pela visão da medicina tradicional chinesa começam antes mesmo da doença acontecer, antes dela ser evidenciada por exames. Compreendi que, durante a faculdade, aprendi muito bem a diagnosticar e a tratar doenças, mas na medicina tradicional chinesa o foco é cuidar do ser humano e a trabalhar com a prevenção dessas enfermidades.

Optei por me aprofundar nos conhecimentos dessa medicina milenar e iniciei minha Residência Médica em Acupuntura no Hospital do Servidor Público Estadual. Durante a residência mantive meu contato com a medicina ocidental através de estágios na enfermaria da clínica médica, em ambulatórios de neurologia, fisiatria, reumatologia, psiquiatria, dermatologia, ginecologia, ortopedia, e cuidados paliativos.

Nessa vivência com cuidados paliativos encantei-me mais uma vez.  Ali testemunhei a prática de uma medicina com olhar para o cuidado centrado na pessoa e não somente em sua doença.

Hoje sou especialista em Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa e estou aprofundando meus conhecimentos em Medicina Paliativa.

O que levo comigo é que a medicina, independente de qual seja, tem suas limitações terapêuticas, porém o cuidado e o amparo, são ilimitados.